LÁGRIMA-DE-NOSSA-SENHORA

por Pedro Crepaldi Carlessi (Pedrinho) – Ogã

No dia 13 de maio, juntamente com a comemoração da abolição da escravatura, a Umbanda entra em festa para saudar uma das suas linhas de trabalho mais antiga: os Pretos Velhos.

E quais são as ervas de preto velho? Ora, toda erva pode ser utilizada por pretos velhos! Embora muitos textos disponíveis na internet classifiquem as ervas pelos diferentes guias espirituais (ervas de caboclo, de preto velho, de boiadeiro, etc), observamos que na prática, essa classificação é bastante falha. As plantas utilizadas na Umbanda variam de acordo com as espécies botânicas disponíveis na região, cultura e tradição da casa de santo. As entidades espirituais que atuam nas sessões de passe e consulta utilizam estas espécies como ferramenta de trabalho e escolhem as ervas de acordo com a necessidade do consulente.

Porém, se existe uma planta que é tipicamente de pretos velhos, esta planta é a Lágrima-de-Nossa-Senhora (Coix lacryma-jobi L.), também conhecida por Capiá, Capim-Rosário, Capim-de-Conta e Capim-Missanga. Embora seja nativa da Ásia, a planta se adaptou tão bem no Brasil que hoje é utilizada em terreiros do país inteiro. Na casa de São Lázaro, as folhas são empregadas no preparo do amací de Oxum e Iansã, mas o grande segredo dessa planta está nas sementes!

A semente da Lágrima-de-Nossa-Senhora é rígida e globulosa, naturalmente já é polida e perfurada ao centro. Sua coloração varia entre o preto e branco, cores do Orixá Obaluaiê, regente desta linha de espíritos. A simplicidade do material, beleza e significado destas sementes, faz com que ela seja a preferida dos pretos velhos para confecção de fios de conta, rosários e patuás.

Plantar uma Lágrima-de-Nossa-Senhora é tarefa simples: Deixe as sementes de molho em água por um dia. Em seguida, plante em terra adubada. Entre uma e duas semanas os brotos já terão germinado e em 4-5 meses, você já poderá colher as suas bio-jóias!

Lágrima de Nossa Senhora

Salve os mestres da sabedoria e da humildade! Salve os pretos velhos!

Axé!